14 MONÓLOGOS DO PEREGRINO NA SALA DOS PASSOS PERDIDOS (03/14)

Posted in Sem categoria on 31 de dezembro de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Átrio 3 – Guerras Adúlteras

by Dall-E 3

I
Ah, que guerra é esta travada nos leitos,
Onde o corpo é o campo de batalha,
E os corações, vítimas de traições,
São esfolados sem piedade, sem honra!
A guerra adúltera, como um espectro sombrio,
Caminha nas sombras da intimidade,
E lança suas flechas envenenadas
Nos casamentos, nos juramentos, nas promessas.
II
(…)
III
Não é o aço que corta, mas o beijo infiel,
Não são os gritos de guerra, mas os silêncios carregados,
Onde os amantes se escondem na vergonha,
E as alianças são rasgadas pelo desejo.
Oh, mas às vezes o leito se torna campo de luta,
E as almas, em fogo, se perdem no abismo
De uma paixão que não conhece limites,
Mas apenas trai o que deveria ser sagrado.
IV
O que é a fidelidade exceto uma farsa,
Quando o coração, insaciável, busca o outro,
E, em sua busca incessante, vingança o próprio laço
Que o tornava puro, que o mantinha em paz?
Os olhos que olham além do que têm,
Vêem sempre mais longe, mas nunca o suficiente,
E, ao fim, encontram a dor do vazio,
Onde antes havia a plenitude da confiança.
V
Ah, mas que dor se esconde na guerra adúltera!
Não é a dor de um ferimento físico,
Mas a dor de um coração ferido por mil facas,
Cada uma cortando um pedaço da alma,
Até que nada reste, senão um eco distante
De promessas quebradas e amores negados.
E quem, depois de tal batalha, pode dizer que venceu?
Quem, no final, pode erguer a cabeça
Sem ver as cicatrizes de uma guerra perdida?
VI
Não há paz nos corações traídos,
Pois a guerra adúltera não deixa vestígios de vitória,
Mas uma lembrança constante do que se perdeu.
E os guerreiros dessa guerra, com suas almas despedaçadas,
Carregam para sempre o peso de sua própria culpa,
Como espectros que nunca dão descanso,
Sempre buscando um perdão que não encontrará.
VII
O campo de batalha é um leito de rosas sem espinhos,
Onde o desejo se torna a arma mais letal,
E, no final, não importa quem venceu,
Pois a guerra adúltera, em sua perversidade,
Deixa todos os combatentes em ruínas,
Sem honra , sem glória, sem salvação.

(Betto Gasparetto- xi/xcvi)

14 MONÓLOGOS DO PEREGRINO NA SALA DOS PASSOS PERDIDOS (02/14)

Posted in Sem categoria on 31 de dezembro de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Átrio 2 – Traição à Ética

by Dall-E 3

I
Ah, quão vil é a traição da ética,
Que, com mãos manchadas de sangue imundo,
Se esconde sob o manto da virtude,
Usurpando o que jamais lhe pertenceu.
Quem ousa chamar de honesto o que é podre,
E de virtuoso o que, no fundo, não passa
De um espelho rachado que reflete mentiras,
Tão belas e sedutoras quanto o mais puro engano?
II
A ética, nobre dama, foi abandonada
Por aqueles que, sem vergonha, em suas práticas,
Trocam a verdade por um obtido de moedas,
E a justiça por um simples jogo de poder.
Que mais bela é a máscara da moralidade,
Quando, por trás dela, os corações se corrompem,
E a alma se vende como mercadorias baratas
Nos mercados sujos da política e do desejo.
III
(…)
IV
O que é ética senão uma promessa quebrada,
Quando o homem, seduzido pela tentativa,
Troca o certo pelo conveniente, o justo pelo fácil,
E a honra pela satisfação efêmera do momento?
A ética morre no instante em que se dobra
Diante das critérios do poder e do luxo,
E quem a corrompe com um sorriso hipócrita
Faz da mentira uma segunda natureza.
V
Ah, o que é mais fácil: ser íntegro,
Ou trair os próprios princípios por um pedaço de glória?
A ética é a chama que arde silenciosa,
Mas quem tem coragem de mantê-la acesa
Quando as ventanias da ambição a apagaram?
Como é doce o sabor do poder nas mãos de quem não o merece,
E como amarga é a consciência de quem,
Tendo perdido sua honra, jamais encontrará o caminho de volta.
VI
A ética, ah, que ridícula se torna quando trocada
Por favores sujos e promessas vazias,
E o homem, ao vender sua alma, jamais compreende
Que, ao traí-la, ele apagou o próprio ser.
E, quando o último vestígio da verdade se esvai,
Nada mais resta do homem, senão um esqueleto vazio,
E o peso de uma mentira que nunca poderá ser desfeita.
VII
Pois, no final, o traidor da ética
Não encontrará mais no mundo o que procura,
E será condenado a viver, eternamente,
Com o vazio que deixou em sua alma.
Ah, como é frágil a ética,
E como são frágeis aqueles que a abandonaram
Em nome daquilo que nunca foi verdadeiro!

(Betto Gasparetto- xi/xcvi)

14 MONÓLOGOS DO PEREGRINO NA SALA DOS PASSOS PERDIDOS (01/14)

Posted in Sem categoria on 31 de dezembro de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Átrio 1 – Difamação e Glória

By Dall-E 3

I
Ah, que sabor mais doce tem a língua envenenada,
Que em sua malícia enredada e venenosa,
Destila o néctar amargo da calúnia,
Com suas garras afiadas e língua traiçoeira.
Não é a glória do herói, mas a do covarde,
Que se erige sobre os escombros de um nome alheio,
Como se, ao enterrar a honra de outro,
Seu próprio fosse exaltado aos céus.
II
Como são doces os louvores da mentira,
Mais doces do que o mel das promessas vazias,
E como o mundo adora se enganar
Com os reflexos falsos de quem é intocado pela virtude.
Na grandiosidade da mentira, a glória floresce,
E o mundo, em sua cegueira adorada,
Venera o impostor que se faz de mártir,
Sem ver que suas mãos estão cobertas de sangue sujo.
III
Quem é mais nobre, aquele que luta com honra,
Ou o que, nas sombras, derrota sem rosto nem medo?
Ah, a mentira é um véu de seda
Que seduz até o mais puro dos corações,
E o caluniador, senhor de sua própria cegueira,
Ri do mundo que não sabe que se torna sua prisioneira.
Como é fácil manchar a pureza do outro,
E ver-se erguido nas ruínas que ele deixou.
IV
(…)
V
A difamação não conhece limites;
Ela é uma corrente que aprisiona a alma do inocente,
E faz do homem digna uma figura ridícula,
De olhos baixos, temerosos e esquecidos de sua força.
Ah, mas como é bela a glória que acompanha a mentira!
Como ela brilha nas noites escuras,
E cega até o mais sabedor dos reis,
Que, em seu trono, aplaude os que a elogiam.
VI
Mas o caluniador, em seu sucesso, não vê o vazio,
Pois sua glória é como um espelho quebrado:
Reflete a verdade, mas de uma forma distorcida,
E, ao final, quem paga o preço de suas palavras
É o próprio espírito que se longe da luz da razão.
Oh, que vida é essa, a vida de quem vive do engano!
Uma vida que, ao final, se desfaz como fumaça,
E o caluniador, em sua ânsia de glória,
Desaparece como uma sombra na noite que não deixa vestígios.
VII
Sim, a difamação é um veneno doce,
mas o preço que se paga é o mais amargo dos tormentos.
Quem se alimenta dela verá seu estômago vazio,
E sua alma, corrompida, nunca encontrará a paz.
Porque, no fundo, a glória de um mentiroso
É uma mentira ainda maior, e o mundo, em sua ignorância,
Aplaude aqueles que, ao fim, são os maiores derrotados.

(Betto Gasparetto- xi/xcvi)

NO CAIR DA NOITE NOTEI QUE O VAZIO DAS HORAS ESTAVA CHEIO DE IMPRESSÕES (33/33)

Posted in Sem categoria on 26 de dezembro de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Adágio XXXIII – Do Orgulho Nasceram Estilhaços que Feriram as Mãos Estendidas do Amor

By Dall-E 3

Quando o orgulho ergue sua muralha entre dois corações, o Vulto de Sibila reflete não apenas vossa imagem, mas os estilhaços que ela projeta no mundo ao redor. Sua alma, marcada por fissuras que brilham à luz da memória, captura os ecos de gestos interrompidos e palavras que nunca encontraram seu destino. “O que restará de um amor ferido pelo orgulho?” indaga o Menestrel, sua voz reverberando como um lamento distante.

Vós, que encarais o entardecer com olhos carregados de arrependimento, percebeis que o orgulho, embora poderoso, é também frágil. Ele não é escudo, mas lâmina que corta tanto quem o empunha quanto quem é alvo de sua rigidez. “Cada estilhaço que o orgulho gera é um pedaço de vossa alma perdida,” murmura o Vulto de Sibila, convidando-vos a refletir sobre o que foi deixado para trás.

Enquanto observais a alma trêmula, imagens começam a surgir, fragmentadas como os cacos de um vidro quebrado. Lá está o momento em que vossas mãos hesitaram, incapazes de se estender para o perdão. Ali, os olhares desviados que selaram distâncias, os silêncios que gritaram mais alto do que qualquer palavra. Cada entardecer é um testemunho de como o orgulho se interpôs onde deveria haver conexão.

“O orgulho que fere o amor é também o primeiro passo para sua cura,” diz o Vulto de Sibila. Ele vos convida a não apenas olhar para os estilhaços, mas a tocá-los, a senti-los como parte de quem sois. Pois é na aceitação do que foi quebrado que reside a possibilidade de reconstrução.

Ao tocar a alma fria e fragmentada do Vulto de Sibila, sentis tanto dor quanto alívio. É como se cada fissura refletisse não apenas perdas, mas também caminhos que ainda podem ser trilhados. “Os estilhaços que ferem também podem ser as sementes de algo novo,” murmura o Vulto de Sibila, enquanto as imagens diante de vós começam a se recompor.

Agora vedes não apenas os danos causados pelo orgulho, mas as mãos que ainda podem ser estendidas. Cada estilhaço, antes símbolo de ruptura, torna-se uma peça de um mosaico que espera por vossa coragem de reuni-lo. O Vulto de Sibila reflete não apenas vossas falhas, mas também vossa capacidade de escolher um caminho diferente.

“Do orgulho nascem estilhaços, mas do amor nasce a força para juntá-los novamente,” afirma o Menestrel. Ele vos encoraja a abandonar o que separa, a buscar o que une, a transformar o que dói em aprendizado e o que é rígido em compaixão. Pois é no ato de ceder que se encontra a verdadeira força.

Ao final, o Vulto de Sibila vos devolve um entardecer pleno de significados. Vedes não apenas os estilhaços que o orgulho gerou, mas as mãos que ainda podem se encontrar. Cada fissura é agora uma lembrança de que, mesmo na dor, há sempre a possibilidade de cura.

Nos estilhaços do orgulho, encontrais não apenas as feridas, mas a coragem de estender as mãos novamente e de transformar a dor em um novo começo.

(Betto Gasparetto – iv/xx)

NO CAIR DA NOITE NOTEI QUE O VAZIO DAS HORAS ESTAVA CHEIO DE IMPRESSÕES (32/33)

Posted in Sem categoria on 26 de dezembro de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Adágio XXXII – No Outro Lado da Rua o Vento Soprou um Silêncio

By Dall-E 3

Quando o vento percorre a rua deserta, o Vulto de Sibila reflete não apenas vossa imagem, mas os ecos de um silêncio que parece ter voz própria. Sua alma vibra com a presença de algo invisível, como se o ar carregasse os sussurros de palavras não ditas e memórias não vividas. “O que vos diz o silêncio que o vento traz?” indaga o Vulto de Sibila, sua voz etérea como o próprio som do vazio.

Vós, que encarais o entardecer com uma mistura de curiosidade e melancolia, percebeis que o vento que sopra do outro lado da rua não é apenas um movimento do ar; ele é um mensageiro de tudo o que ficou por dizer, de tudo o que foi deixado para trás. “O silêncio do vento é o Vulto de Sibila de vossa própria alma inquieta,” murmura o Menestrel, convidando-vos a escutar o que não pode ser ouvido.

Enquanto observais a alma tremulante, imagens começam a se formar, nebulosas como a neblina que o vento carrega. Lá está a figura que um dia se afastou sem olhar para trás, o momento em que palavras poderiam ter feito toda a diferença, mas foram sufocadas pelo medo. Cada entardecer é um fragmento de uma história interrompida, uma peça de um quebra-cabeça incompleto.

“O silêncio do vento não é vazio; ele está repleto de possibilidades,” diz o Vulto de Sibila. Ele vos convida a não apenas ouvir, mas a sentir, a permitir que o vazio fale e que suas mensagens encontrem um lugar em vosso coração. Pois cada rajada, por mais suave ou intensa que seja, carrega consigo a energia de algo que está por vir.

Ao tocar a alma do Vulto de Sibila, sentis o frio do vento que ele reflete, mas também um calor inesperado. É como se o silêncio que parecia tão distante agora se tornasse parte de vós. “O vento que traz silêncio também traz respostas,” murmura o Vulto de Sibila, enquanto as imagens diante de vós se tornam mais nítidas.

Agora vedes não apenas o vento que sopra, mas as portas que ele abre. Cada silêncio carregado por ele é uma oportunidade de introspecção, de reencontro consigo mesmo. O Vulto de Sibila reflete vossa capacidade de transformar o vazio em plenitude, de ouvir o que o silêncio tem a ensinar.

“No outro lado da rua, onde o vento sopra um silêncio, encontrais não apenas a ausência de som, mas a presença de vossa verdade,” afirma o Menestrel. Ele vos encoraja a não temer o silêncio, mas a abraçá-lo como um espaço de crescimento e descoberta.

Ao final, o Vulto de Sibila vos devolve um entardecer pleno de significados. Vedes não apenas o vento e o silêncio, mas vossa própria jornada, que continua a ser escrita mesmo nos momentos em que as palavras faltam. Cada rajada é agora um lembrete de que, mesmo na ausência, há sempre algo a ser encontrado.

No vento que sopra o silêncio, encontrais não apenas a quietude, mas a promessa de que, além do vazio, há sempre uma nova melodia esperando para ser ouvida.

(Betto Gasparetto – iv/xx)