Sementes de Outono

Posted in Sem categoria on 27 de janeiro de 2026 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

A cada outono recolho as sementes,
E as guardo em vidro, longe da amargura.
O inverno as prova, as deixa pacientes,
E o frio ensina a força da doçura.
No reencontro, a primavera explode,
E o chão se veste de ouro e compaixão.
O sol nos toca, o vento nos acode,
E a fé renasce em cada plantação.
Quem passa diz que é belo e que é demais,
Mas só nós dois sabemos quanto paz.

II

Se um dia o tempo quiser estiagem,
Serei regato a te molhar os pés.
Trarás contigo o gesto da coragem,
E juntos venceremos a escassez.
O amor não teme o tempo nem a seca,
Pois sabe o ciclo e o recomeço.
Cada estação que vem, nos reconecta,
E o chão renova o pacto do começo.
Assim seguimos, flor após flor,
Firmando o chão com raízes de amor.

III

E quando o sol cansar de iluminar,
E a lua for a lâmpada da calma,
Nosso jardim há de continuar,
Pois vive dentro, no quintal da alma.
As flores não se apagam nem se perdem,
Transmigram pétalas por dentro do ser.
E o tempo, que antes quis ser alarde,
Se faz silêncio doce de viver.
Entre nós, a vida floresceu em voz:
O jardim que nasceu — cresceu em nós.

(Betto Gasparetto- vii-mmxvi)

O Amor é uma Carta Autografada

Posted in Sem categoria on 26 de janeiro de 2026 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Quando a tinta seca e o dia finda,
Sopro o pó dourado do querer.
O papel respira e se rescinde,
O amor renova o verbo “renascer”.
Tu és presença até no branco puro,
Que guarda o não-dito e o essencial.
Teus olhos vivem no intervalo escuro,
E acendem paz num lume fraternal.
A carta inteira pulsa e me devora,
Mas o silêncio é o que mais aflora.

II

Se o carteiro nunca te encontrar,
O vento há de levar o meu recado.
Ele saberá te procurar
Nos campos do destino enamorado.
E quando o sol tocar tua varanda,
Verás no chão as sombras do papel.
Serão meus versos, leves como a banda
Que o céu ensaia em cor de carrossel.
E entenderás: o amor é carta viva,
Que o tempo lê e o sonho reescreve altiva.

III

Guardo uma cópia em mim, escrita a fogo,
Pois sei que um dia o corpo se dispersa.
Mas tua imagem vive em tom e logo,
E o verso meu se faz tua promessa.
Mesmo se o mundo mudar de estação,
Mesmo se o verbo falhar, ainda assim
Te amarei no intervalo da canção,
Na pausa em que o silêncio toca em mim.
E o que restar será pura alegria:
Cartas escritas com luz e poesia.

IV

No fim do texto, a vida se resume:
Um nome, um gesto, um respirar.
E o tempo, comovido, se acostume
A sempre ver-me em ti recomeçar.
Porque amar é escrever sem fim,
Sem medo, sem pressa, sem parágrafo.
E o papel, cansado, olha pra mim
E diz: “o amor é uma carta autografada”.
Então descanso a pena e deixo a mão:
Teu nome basta — é minha conclusão.

(Betto Gasparetto- vii-mmxvi)

A Geometria da Dissolução

Posted in Sem categoria on 25 de janeiro de 2026 by Prof Gasparetto

(Brenda GG)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

(Brenda GG – i-xxvi)

Sentinela de Sombras

Posted in Sem categoria on 24 de janeiro de 2026 by Prof Gasparetto

(Brenda GG)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Minha alma, forte de pedra bruta e eras,
onde o exército do teu nome nunca aportou.
Teus gestos, ecos em vãs atmosferas,
cujo império, de fato, nunca reinou.

Sou a vigilante noturna de um muro cego,
mirando o deserto onde devias estar.
O rancor é este templo mudo e maldito,
erguido no vácuo de um verbo esculpido como o oposto de “amar”.

Deixei o espaço no portão de entrada,
um oco, um hiato, para o vulto perdido no breu;
entrou sem ruído a esperança cansada
e ardeu, em segredo, o que jamais floresceu.

Indiferente à vitória, sou feita de espólios,
decifro os vestígios do que não se ergueu.
Há um luto de mármore atrás dos meus olhos,
pela cidade fantasma que o tempo teceu.

Permaneço como poeira sob um sol de derrotas,
repleta de ausências como escrava do cais.

O que me habita é a porta remota
que se fecha no agora… no talvez, depois
e no nunca mais.

(Brenda GG – i-xxvi)

Cartas Escritas com Luz da Manhã

Posted in Sem categoria on 24 de janeiro de 2026 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Escrevo em ti o alvorecer discreto,
Que o tempo deixa à beira da janela.
O vento dobra a página e o soneto,
E o sol traduz a vida em cor mais bela.
O dia nasce em linhas de ternura,
E a tinta é bruma, amor e claridade.
Cada palavra em luz se transfigura,
E o verbo aprende a ser simplicidade.
Teu nome é título de todo dia,
E a aurora o lê com melancolia.

No papel do tempo há nossas rugas,
E cada sulco é verso a se lembrar.
As perdas, doces, viram velhas fugas,
E o coração ensina a repousar.
Tua ausência é flor que não termina,
Perfume antigo preso em mim, constante.
E a lembrança, ao toque da rotina,
Vira canção de outono itinerante.
No envelope guardo o teu retrato,
Que o vento lê em rito delicado.

II

Escrevo lento, para não perder
O peso leve do que é verdadeiro.
O som do lápis tenta compreender
O amor que cabe inteiro em um janeiro.
A mesa guarda o sol e as nossas sombras,
E o tempo passa em marcha sem rancor.
Se a vida é breve, o gesto não assombra,
Pois no detalhe mora o esplendor.
E o mundo cabe dentro da palavra
Que o peito dita e a saudade grava.

Os móveis velhos ouvem e respiram,
O chão range como um velho amigo.
A casa, cúmplice, acolhe e inspira,
E o relógio sorri, quase consigo.
Escrevo o amor em verso disciplinado,
Com métrica de brisa e compaixão.
O vento sopra, audaz, desordenado,
E embaralha as páginas no chão.
Mas o que importa é que o sentimento
Fica intacto, puro e sem tormento.

III

Há pausas entre as frases que se tocam,
São beijos que o papel não pode dar.
E as letras, que no tempo se deslocam,
Têm teu perfume em cada respirar.
As linhas curvam, suaves, como espelhos,
E refletem o instante em que sonhei.
A caligrafia guarda os meus conselhos,
E o coração responde: “Eu te esperei.”
Cada vírgula é lágrima contida,
Cada ponto é promessa de partida.

(Betto Gasparetto- ii-mmxvix)