Monólogo sobre o Tempo Que Morou Dentro de Nós

Posted in Sem categoria on 3 de janeiro de 2026 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

O tempo veio, entrou sem cerimônia,
Sentou-se à mesa e pediu café.
Disse: “vim ver se a vida ainda é idônea,
Se o amor ainda fala o que bem quer.”
Nós rimos, cúmplices, por gentileza,
E o tempo achou curioso o nosso riso.
Ele, tão velho, viu que a singeleza
Ainda era abrigo, norte e aviso.
Tomou do pão, partiu com paciência,
E disse: “a eternidade é convivência.”

Teus olhos, sábios, olharam-no em calma,
E o tempo viu-se ali, rejuvenescido.
Tua presença ensinou-lhe a alma,
Que amar é verbo, nunca sucedido.
E eu, sentado ao lado do mistério,
Percebi que o amor vence o calendário.
O tempo, humilde, confessou o sério:
“Vocês viveram fora do horário.”
E nós sorrimos, leves de razão,
Com a eternidade posta à mão.

O tempo quis saber como é possível
Manter o lume em brasa sem se exaurir.
Disse-lhe: “é simples, é invisível,
É só cuidar, sem medo de existir.”
E ele, curioso, fez silêncio longo,
Para entender o ofício do afeto.
O amor, discreto, acendeu o tongo
De uma vela no meio do concreto.
E o tempo, vendo o brilho dessa chama,
Percebeu que o amor também o ama.

“Como resistem às horas impiedosas?”
Perguntou o tempo, um tanto comovido.
“Vivendo lento, com fé nas coisas rosas,
E rindo do que um dia foi perdido.”
“E o corpo?” – ele quis saber – “E o cansaço?”
“Fazem parte da lição e do percurso.”
“E as dores?” – insistiu – “E o descompasso?”
“São sementes de paz, quando em discurso.”
E o tempo, ouvindo, suspirou profundo:
“Vocês amam mais velho que o mundo.”

Depois se levantou, nos abençoou,
E o chão brilhou sob a luz de sua pena.
“Eu volto sempre que o relógio parou,
Pois onde há fé, o tempo se serena.”
E foi embora, leve, sem presságio,
Deixando um cheiro antigo de jasmim.
Nós nos olhamos, rimos de coragem,
E o mundo inteiro coube ali, enfim.
O amor dormiu, cansado e agradecido,
E o tempo, ao longe, acenou rendido.

Agora sei: o tempo mora em nós,
Feito hóspede discreto e atencioso.
Ele nos serve o chá, empresta voz,
E observa o amor, curioso e idoso.
Aprendeu, conosco, a ter doçura,
A falar baixo e a ouvir devagar.
E quando a pressa chega em desventura,
Ele suspira e pede pra esperar.
Porque entendeu, e escreve em sua foz:
“O tempo só existe entre os que são dois.”

Quando, afinal, o tempo for embora,
Levará fotos, cartas e canções.
Mas deixará no chão da nossa aurora
Um rastro claro de recordações.
E nós, contentes, abriremos a janela,
Para que o vento assine o seu adeus.
O sol virá brilhar na tarde bela,
E o céu guardará os nomes teus.
E o tempo, em paz, há de reconhecer:
Amar é o jeito humano de viver.

O tempo, então, nos deixará sozinhos,
Mas de saudade mansa, não cruel.
O coração, maduro em seus caminhos,
Baterá firme, claro, fraternal.
E cada hora, doce, será nova,
Mesmo que o corpo aprenda o fim da estrada.
Porque o amor, que em nós se renova,
Faz da velhice a aurora mais dourada.
E o tempo, vendo o brilho em nossos rostos,
Dirá: “a vida é feita em contrapostos.”

Assim termina a crônica serena,
De quem viveu com alma em construção.
E o tempo, agora amigo, se acalenta,
Em cada ruga mora uma canção.
O mundo gira, as flores se inclinam,
E o amor escreve a história outra vez.
O tempo assina: “Aqui, tudo ilumina,
E a eternidade mora em sua vez.”
Que seja sempre assim — o mesmo nós,
E o tempo em paz, morando entre nós.

(Betto Gasparetto- vi-mmxiii)

Monólogo da Saudade Serena

Posted in Sem categoria on 2 de janeiro de 2026 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

A saudade chegou devagarinho,
Sentou-se à mesa, pediu para ficar.
Trouxe um caderno, lápis e carinho,
E disse: vamos juntos inventariar.
Primeiro, os passos dados sem alarde,
Que foram pão no dia mais difícil.
Depois, os beijos tímidos da tarde,
Que transformaram bruma em clarividência.

II
Anotei teu perfume, brando e limpo,
E o modo como o riso te acalmava.
Anotei teu silêncio, manso e simples,
E a paz que, em mim, tua presença dava.
Guardei o tom exato do teu nome,
E o jeito como a porta te acolhia.
Guardei o corpo inteiro e seu pronome,
E a luz que, ao tocar, florescia.

III
A saudade sorriu, porque conhece
Os inventários de quem ama em paz.
Disse: segue, escreve o que te aquece,
E deixa o que é ferida para trás.
Registrei nossas tardes de varanda,
O chá, o pão, o sol no parapeito.
O som da rua ao longe que nos manda
Um recado de mundo imperfeito.

IV
Anotei as viagens que faltaram,
Não como falta, mas como horizonte.
Anotei velhas cartas que choraram,
E viraram água doce sobre a fonte.
Reuni pequenos gestos escondidos,
O cobertor passado sobre os ombros,
“O sim” discreto aos sonhos distraídos,
E o não gentil aos tantos escombros.

V
Eu quis guardar até o que não lembro,
Porque há lembranças feitas de ternura.
E a saudade assentiu, com rosto novembro,
Dizendo: tudo isso é tua estrutura.
Depois pedi um tempo ao coração,
Para escrever o que dói e ensina.
A saudade, paciente, deu a mão,
E disse: põe no papel e caminha.

VI
Anotei noites longas de vigília,
Janelas, lâmpadas, breves horizontes.
Registrei descompassos e cautelas,
Os nós antigos, prantos e cansaços.
Mas cada dor ganhou novas janelas,
E converteu-se em firmeza nos abraços.
Quando olhei para a lista tão comprida,
A saudade fechou o caderno e disse:
Vês como o amor bordou tua vida,
E como o tempo só te quis feliz?

VII
Eu sorri, e pedi mais um capítulo,
Para escrever o agora, aqui, presente.
Ela assentiu: o agora é o mais lícito,
Pois nele o coração floresce e sente.
Então escrevi teu nome uma centena
De vezes, em caligrafia lenta.
E cada letra era uma açucena,
E cada linha, uma manhã atenta.

VIII
Escrevi: hoje te espero com doçura,
E te recebo em paz e vigilância.
Escrevi: cuido em mim do que te cura,
E em ti confio a minha confiança.
A saudade, contente, pediu pausa,
Para beber da luz do fim da tarde.
Eu trouxe água, pão e nossa causa,
E a mesa recebeu nossa saudade.

IX
Disse: inventário feito não termina,
Pois cada dia aumenta a coleção.
Eu respondi: o amor é disciplina,
E armazena o trigo da estação.
Ela sorriu: então, prossegue e vive,
Com esse cuidado claro e generoso.
E eu escrevi: que nada nos derribe,
Que o cotidiano seja vitorioso.
Então fechei o livro com carinho,
E guardei no armário da memória.

X
Deixei marcado o próximo caminho,
Para que a vida leia a nossa história.
Se fores longe, eu sigo te guardando,
Se fores perto, eu sigo te acolhendo.
E se a noite vier nos visitando,
Acenderei o lume do entendimento.
E quando a aurora abrir sua janela,
A saudade sorrirá na cozinha.
Nossa alegria, simples, larga e bela,
Fará do pão palavra que caminha.
Eu sei que ainda faltam muitos itens,
Mas cada um surgirá quando chamarmos.

XI
Porque o amor, em sua lei de ritmos,
Anota e apaga, para que amemos.
E a saudade, serena, me garante:
Inventariar é jeito de cuidar.
Eu assinei, com tinta de amante:
Prefiro a fé que sabe demorar.
Se o tempo perguntar quem nós somos,
Direi: somos quem guarda e devolve.

XII
Se o mundo perguntar se continuamos,
Direi: sim, com o que cura e resolve.
Se Deus do tempo vier nos visitar,
Oferecemos mesa e escutação.
E a saudade há de então testemunhar:
Amor maduro é nossa profissão.
E quando a vida fechar o caderno,
Abriremos outro, mais aberto e terno.

(Betto Gasparetto- vi-mmxiii)

12 Maneiras de Como o Amor Supera a Solidão

Posted in Sem categoria on 1 de janeiro de 2026 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

1. O reencontro consigo é o primeiro abraço

Antes de amar outro, é preciso acolher-se.
A solidão ensina o tom exato do cuidado.
O amor que nasce de um ser inteiro
não busca remendo, mas comunhão.

A cura começa quando o coração se escuta.

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2. O amor não invade, ele se harmoniza

A paixão que respeita o silêncio floresce.
Não chega como tempestade, mas como poesia.
Ele não exige — compreende.
E, na presença tranquila, dissolve o medo antigo.

O verdadeiro amor não ocupa: ele acompanha.

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3. A ternura é o idioma dos que renasceram

Depois da dor, o toque ganha outro sentido.
É gesto lento, sem urgência ou domínio.
A ternura é o sopro que substitui o grito.
É a vitória da escuta sobre a pressa.

Quem aprendeu a esperar, sabe amar.

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4. O tempo se torna cúmplice

Não há mais relógio, há ritmo.
Cada segundo respira, cada olhar tem pausa.
A pressa dá lugar ao cuidado.
E o amor cresce no compasso da maturidade.

Só o tempo lapida o que é verdadeiro.

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5. O corpo volta a ser templo, não refúgio

O toque deixa de ser fuga e vira linguagem.
O abraço deixa de preencher vazio
e passa a expressar sentido.
O amor não consola — ele desperta.

A presença cura onde a ausência habitava.

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6. O perdão deixa o amor respirar

Nenhum coração prospera no rancor.
Perdoar não é esquecer, é libertar o caminho.
É permitir que o passado deixe de dirigir o presente.
Amar é permitir-se leveza.

Quem perdoa renasce sem peso.

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7. O diálogo substitui o medo

O silêncio antes servia de armadura.
Agora é espaço de troca.
O amor maduro fala com doçura,
porque entende que a palavra também é abrigo.

Conversar é o modo mais profundo de tocar.

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8. A esperança se torna hábito

O amor que superou a solidão não duvida do amanhã.
Ele não teme as distâncias, nem o tempo.
Vive de fé serena, sem ansiedade.
E faz da esperança um modo de estar no mundo.

Quem confia no porvir, já habita a paz.

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9. O passado vira bênção, não prisão

Os amores que se foram ensinaram o caminho.
A saudade vira biblioteca, não ferida.
Nada se perde quando se compreende.
O que doeu transforma-se em luz de lembrança.

Amar de novo é honrar o que passou.

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10. O companheirismo substitui o espetáculo

O amor que permanece é discreto.
Não precisa provar-se, apenas estar.
Na cumplicidade mora a eternidade.
E a convivência torna-se poesia cotidiana.

Amar é dividir o silêncio com paz.

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11. A liberdade se torna forma de afeto

Não há posse onde há amor.
A solidão curada aprende a partilhar sem medo.
Cada um mantém seu céu,
mas ambos se refletem no mesmo horizonte.

Liberdade é a assinatura do amor maduro.

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12. A vida reencontra sua música

Depois da solidão, o amor não é grito, é melodia.
Cada olhar tem som, cada gesto tem cadência.
Não há pressa — há harmonia.
E a existência inteira dança em comunhão.

Quando o amor supera a solidão, o mundo volta a cantar.

(Betto Gasparetto – vii-mmi)

12 Maneiras de Como a Vida Nos Presenteia com Esperança Após a Perda de um Grande Amor

Posted in Sem categoria on 31 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

1. Porque o fim é também uma semente

A dor de perder é o campo onde germina o novo.
O amor que se vai deixa raízes de sensibilidade.
É nas ruínas do afeto que o coração aprende arquitetura.

Toda despedida é convite à reconstrução de si.

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2. Porque o vazio ensina a respirar diferente

O silêncio que sucede o amor não é castigo — é pausa.
O corpo desacostumado ao abraço precisa redescobrir o ar.
E nesse ar há promessa de recomeço.

Quem aprende a respirar sozinho nunca mais sufoca.

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3. Porque o tempo, ao curar, refina a visão

O amor intenso cega; a ausência ensina a enxergar.
Depois da perda, o olhar se torna mais lúcido,
e o coração passa a escolher com sabedoria o que o toca.

A esperança nasce quando o sentir se torna consciência.

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4. Porque a solidão é mestra do autoconhecimento

Estar só não é estar vazio — é estar inteiro.
O silêncio da ausência revela o mapa do próprio ser.
No encontro consigo, a alma volta a ter voz.

E quem volta a si descobre a estrada da esperança.

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5. Porque o amor perdido se transforma em ternura universal

O amor que se foi não morre — amplia-se.
Deixa de ser posse e torna-se compaixão.
Aprendemos a amar o mundo quando deixamos de exigir retorno.

A esperança é o amor que amadureceu.

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6. Porque a memória se torna consolo, não prisão

Lembrar não é insistir, é agradecer.
A memória serve ao crescimento, não à dor.
O que foi belo deve ser guardado, não revivido.

A esperança floresce quando a lembrança se torna gratidão.

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7. Porque o sofrimento limpa os excessos do ego

A perda despede a vaidade das promessas eternas.
Dela nasce o ser mais simples e verdadeiro.
A dor retira o que era máscara e revela o essencial.

A esperança mora naquilo que resta depois do orgulho.

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8. Porque cada fim é uma forma de libertação

Nem todo amor termina: alguns se cumprem.
O ciclo se encerra não por fracasso, mas por plenitude.
É preciso reconhecer quando o aprendizado foi concluído.

A esperança surge quando o coração aceita o ponto final.

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9. Porque a beleza ainda existe, mesmo em outros rostos

Perder alguém não é perder o dom de admirar.
A vida é generosa com quem ainda sabe ver o belo.
Os olhos curados pela perda percebem novas cores.

E nelas, o mundo volta a sorrir.

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10. Porque o amor ensina mesmo ao partir

Nenhuma história é vã quando deixa sabedoria.
O que se aprende em amar é o que se carrega adiante.
A esperança é filha do aprendizado emocional.

O amor passa, mas o aprendizado permanece.

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11. Porque o perdão abre a porta da serenidade

Perdoar é compreender que a dor também amadurece.
Guardar mágoa é permanecer preso à sombra do outro.
Quem liberta o passado devolve leveza ao presente.

E a esperança renasce no coração que não julga.

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12. Porque viver é amar outra vez, de outro modo

A vida não repete, mas renova.
Cada novo amor é outra forma de encontrar o mesmo sol.
Quem compreende o valor da perda já sabe receber o novo.

E a esperança é o nome secreto desse recomeço.

(Betto Gasparetto – vii-mmi)

12 Maneiras de Recomeçar o SER sem Renegar o TER

Posted in Sem categoria on 30 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

1. Aprende a caminhar sem o eco do ontem

A solidão não é ausência, mas ensaio.
Nela o ser se recompõe e se reconhece.
Quando o silêncio te educa, a vida floresce.

É preciso perder o ruído para escutar o coração.

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2. Constrói o recomeço com gestos simples

O primeiro tijolo da paz é a rotina serena.
Nas pequenas coisas mora a esperança.
Não busques fogos; acende a lâmpada interior.

A constância é a linguagem dos que renascem.

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3. Perdoa o tempo e seus descompassos

Nem todo atraso é perda.
O relógio do destino tem pausas de sabedoria.
Aceita o ritmo da espera e serás agraciado.

O tempo não castiga, ele lapida.

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4. Veste o olhar com nova inocência

Olha o mundo como quem o vê pela primeira vez.
O que foi dor, agora é moldura.
A paisagem muda quando a alma se abre.

A beleza sempre esteve ali — só precisava do teu olhar limpo.

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5. Aceita o passado como mestre, não como dono

O que viveste é livro lido, não sentença.
A memória é um jardim: colhe, mas não acampa.
Saber partir é também forma de agradecer.

A paz é o silêncio das culpas.

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6. Cultiva amores que sejam morada, não prisão

A paixão verdadeira é aquela que liberta.
Quem ama sem exigir eternidade toca o infinito.
O afeto maduro não teme o fim — floresce no presente.

A esperança é o nome secreto da liberdade.

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7. Reaprende a confiar nas manhãs

Mesmo quando tudo parece ruína, há alvoradas por vir.
O sol não pergunta se o campo está pronto.
Ele simplesmente nasce.

Recomeçar é aceitar o convite do amanhecer.

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8. Permite que a dor se torne arte

Não reprimas o que sente; transforma.
A lágrima é tinta para novos versos.
A ferida, quando aceita, escreve sabedoria.

O sofrimento que se compreende vira poesia.

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9. Abre espaço ao inesperado

O amor que chega não avisa; o destino é discreto.
Não o compares, nem o sufoques com lembranças.
O novo não cabe no molde do antigo.

A esperança respira em portas entreabertas.

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10. Confia na leveza que nasce da compreensão

O que parecia eterno terminou para dar passagem.
Nada do que é verdadeiro se perde, apenas muda de forma.
Deixa o vento levar o que já cumpriu sua missão.

A serenidade é o amor amadurecido em silêncio.

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11. Reaprende o toque e o riso

O corpo guarda a memória da ternura.
Deixa-o reencontrar o gesto e o som da alegria.
A emoção não morre: adormece à espera de coragem.

A vida recomeça no instante em que sorris sem medo.

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12. Faz da esperança o teu novo amor

Que tua paixão seja pelo que ainda virá.
Ama o que cresce, o que muda, o que renasce.
O futuro não é inimigo, é o abraço de amanhã.

Quem tem esperança jamais está só.

(Betto Gasparetto – vii-mmi)