12 Maneiras de como Viver, Dançar, Querer, Amar…

Posted in Sem categoria on 29 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning


1. Viver é o verbo mais corajoso

Viver é aceitar o inacabado.
É sorrir diante do imprevisto e agradecer o instante.
Não há roteiro perfeito — há presença.
Quem vive intensamente transforma o tempo em arte.

O viver autêntico é uma oração sem palavras.


2. Dançar é dialogar com o invisível

O corpo que dança escuta o ritmo da alma.
Cada gesto é uma resposta ao universo.
Dançar é deixar o mundo passar por dentro,
sem perder a própria melodia.

A dança é a linguagem da liberdade.


3. Querer é acender o fogo da vontade

O querer humano é centelha divina.
Desejar é afirmar o poder de existir.
Mas o querer sábio não é posse — é direção.
É o impulso que move sem aprisionar.

Quem quer com alma, já começa a realizar.


4. Amar é permanecer em movimento

O amor não é estátua — é correnteza.
Quem tenta detê-lo o perde.
Amar é fluir, renovar, recomeçar mil vezes.
É estar presente sem dominar.

Amar é dançar com o mistério do outro.


5. Viver é aprender a partir e voltar

Há chegadas que só acontecem após a partida.
O caminho ensina o valor do retorno.
Quem não teme o adeus, encontra novos inícios.
A vida se move em ciclos de despedida e reencontro.

Viver é voltar a si com olhos lavados.


6. Dançar é reconciliar corpo e alma

O movimento cura o que o medo paralisou.
Quando o corpo dança, o espírito sorri.
A gravidade se torna música,
e o chão vira cumplicidade com o céu.

Dançar é dizer “sim” à própria existência.


7. Querer é escolher com consciência

O querer cego devora; o querer lúcido constrói.
A maturidade nasce do equilíbrio entre desejo e serenidade.
Nem tudo o que se quer convém,
mas tudo o que convém precisa ser querido.

O querer sábio é o desenho da alma no tempo.


8. Amar é o dom de permanecer humano

O amor verdadeiro não idealiza — compreende.
É olhar o outro com ternura e limite.
É cuidar sem impor, e deixar sem abandonar.
Amar é aceitar o inacabado como sagrado.

Só o amor conhece o peso e a leveza da entrega.


9. Viver é recomeçar com elegância

O fim nunca é o fim: é travessia.
Quem vive com coragem transforma perdas em luz.
A vida pede não pressa, mas constância.
E cada novo dia é um convite a reescrever-se.

Recomeçar é a forma mais nobre de viver.


10. Dançar é lembrar-se de que se é livre

O corpo que se move é a alma que acorda.
Dançar é desafiar o tempo com graça.
É fazer da leveza uma filosofia.
E do instante, um altar de celebração.

A vida é breve — por isso dança.


11. Querer é confiar no que ainda não se vê

Nem tudo se conquista de imediato.
O querer verdadeiro persevera no invisível.
A fé é a forma silenciosa do desejo.
E o tempo é o guardião do sonho maduro.

Quem crê na semente, já colheu a flor.


12. Amar é devolver sentido ao mundo

O amor é a tradução do mistério em gesto.
É o verbo maior que abriga todos os outros.
Amar é reconciliar o humano e o divino.
E descobrir que a vida só se entende quando se oferece.

Amar é existir com gratidão.

(Betto Gasparetto – vii-mmi)

O Tempo é Apenas Moldura

Posted in Sem categoria on 28 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

O corredor, tão longo e silencioso,
É ponte entre o ontem e o amanhã.
Nele o relógio soa vagaroso,
E o som do tempo é doce e humano.
Cada retrato antigo é testemunha
Do que o amor soube sem precisar dizer.
E o chão, gasto, suspira e se insinua,
Como quem lembra e tenta agradecer.
Na estante o tempo é apenas moldura,
E o presente, a maior pintura.

II

O jardim lá fora tem folhas velhas,
Mas nelas nasce o verde a cada outono.
As flores guardam chuvas e centelhas,
E o vento escreve o nome do abandono.
Mas mesmo o musgo, velho e paciente,
É prova de que o amor não apodrece.
A terra, sábia, aprende o que é presente,
E o fruto, lento, sempre amadurece.
E o destino, em paz, vê o ciclo exato:
A vida é casa em constante trato.

III

Nosso lar não tem luxo, tem sossego,
E a luz das tardes pousa no retrato.
O tempo, ali, se esquece de ter ego,
E a sombra aprende o dom do desacato.
Tudo é pequeno, mas cabível e inteiro,
Tudo é singelo, mas profundo e forte.
E a vida, enfim, se faz o verdadeiro,
Ao se abrigar nas janelas do norte.
A casa é verbo e verso, voz e chama,
E o teto guarda o rumor de quem ama.

IV

Se um dia o vento levar nossa morada,
O chão guardará o rastro dos degraus.
E o sol, ao ver, dirá: “Foi bem morada,
Pois teve riso, pão e ideais iguais.”
A vida, então, nos chamará de volta,
Para um quintal maior e sem fronteira.
E o amor, que é tijolo e fé mais alta,
Erguerá casa azul de primavera.
Nada se perde quando há ternura:
O lar é o tempo em forma de estrutura.

V

E quando o mundo em si desabar,
Restará a lembrança, firme e bela.
Nosso lar, que o tempo quis levar,
Ficará aceso como uma estrela.
A casa que o destino nos empresta
Não tem contrato, tem gratidão.
E o coração, que nela se manifesta,
É o telhado da criação.
Que seja eterna enquanto houver janela
E o teu olhar sorrindo dentro dela.

(Betto Gasparetto- viii-mmxxii)

A Casa Que o Destino Nos Empresta

Posted in Sem categoria on 27 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Há uma casa onde o destino mora,
Entre o agora e o que não se prevê.
Nela o silêncio fala e o tempo ora,
E cada quarto abriga o verbo “crer”.
As paredes guardam ecos de esperança,
E o chão, memória de passos antigos.
A janela abre em flor e lembrança,
E o teto é céu sem medo nem perigos.
Foi lá que a vida, sábia e benfazeja,
Assinou o contrato da peleja.

II

A casa tem janelas que conversam,
Com o rumor manso das horas lentas.
E as cortinas, que ao vento se dispersam,
Parecem véus de almas sonolentas.
Na sala há livros, risos, porcelanas,
E um abajur que acende devagar.
No canto o tempo escreve suas canas,
E o amor descansa para recomeçar.
Cada cômodo exala calma antiga,
E o ar respira em tom de cantiga.

III

A mesa é altar do pão e da conversa,
O vinho é prece, o gesto é comunhão.
O amor não fala alto, se dispersa
No toque simples de uma refeição.
O cheiro do café resume a vida,
O sol da tarde entra pelo vidro.
E o tempo, que não dorme nem duvida,
Se deita em paz no lume do abrigo.
Na cozinha o mundo se reequilibra,
E a alma encontra o tom que a reanima.

IV

No quarto, o lençol tem cheiro de infância,
O travesseiro guarda confidências.
E o corpo, em sua dócil relevância,
Encontra a fé nas próprias coincidências.
As janelas respiram o entardecer,
Com tons dourados de melancolia.
O amor, cansado, aprende a renascer,
E o sono vem em branda sinfonia.
Até o sonho aceita o que o destino
Chama de paz no chão do peregrino.

V

E se o tempo, um dia, nos pedir abrigo,
A casa abrirá as portas para ele.
E o destino, cúmplice e amigo,
Nos devolverá em forma de aquarela.
Pois o amor é lar, é luz, é chão:
A eternidade em construção.

(Betto Gasparetto- viii-mmxxii)

Intervalo em que o Sol Descansa

Posted in Sem categoria on 26 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Se o mundo ruge e o caos se multiplica,
Tua voz organiza o calendário.
O peito segue o ritmo que indica,
E a vida acha sentido solidário.
Teu nome é pausa entre uma era e outra,
É o intervalo em que o sol descansa.
Na ampulheta do afeto, a rota é outra,
E o grão do tempo é pó de confiança.
Tudo o que urge cede à calmaria,
E o amor se ergue como liturgia.

II

Não peço eternidade em monumento,
Mas o instante claro que nos contém.
O tempo é breve, o gesto é fundamento,
E o coração conhece o seu além.
Se amanhã vier frio, trarei coberta;
Se vier calor, serei sombra e abrigo.
A vida, em ti, é estrada descoberta,
E o tempo, em nós, aprende o que é antigo.
No livro das horas, reescrevi
Que o tempo é amor quando está em ti.

III

Se a morte vier em seu compasso exato,
Encontrará dois corpos no descanso.
E o céu, ciente, ouvirá o relato
De dois amores plenos, sem remanso.
O tempo, ouvindo, há de parar também,
E o mundo, em respeito, guardará.
Pois o amor, que é alma e chão de alguém,
É quem ensina o tempo a perdoar.
E as horas, antes firmes, vão sorrir:
Não há relógio que saiba medir.

IV

Assim seguimos, fora do costume,
Com o olhar que eterniza o cotidiano.
E o coração, em sua doce fome,
Descobre o pão do gesto soberano.
Amar-te é suspender toda medida,
É dar à vida um eixo e uma estação.
E o tempo, ao ver, desiste da corrida,
Pois já entendeu a nossa dimensão.
E o relógio, cansado de esperar,
Canta as horas que o amor quis poupar.

(Betto Gasparetto- viii-mmxxii)

Estradas que o Destino Deixou Cruzar

Posted in Sem categoria on 25 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Te vi chegando em luz de fim de tarde,
E o chão sorriu, cansado e delicado.
O vento abriu cortinas sem alarde,
E o tempo disse: agora é o teu cuidado.
Teu passo traduziu meu próprio passo,
E a rua aprendeu novo compasso.
O dia respirou entre teus ombros,
E a pressa adormeceu sem seus escombros.
Falaste pouco; a pele completou,
O que a distância, tonta, não contou.
O rumor da cidade, em nós, perdeu,
O gosto de ser ruído que ardeu.
Estendi a mão, cabiam dois invernos,
E duas primaveras já internas.

II

Teu nome, antigo, soou como destino,
E o coração seguiu pelo teu caminho.
Eu vi no céu um mapa de chegada,
E nele teu olhar era a estrada.
Os semáforos do mundo se renderam,
E as buzinas cansadas se calaram.

Teu riso fez do outono doce abrigo,
E o verão pendurou-se no teu trigo.
Partimos sem partir: ficamos perto,
E o longe foi mudando o seu deserto.

III

Descemos a calçada em voz baixa,
E o céu acendeu lâmpadas de praia.
Eu te ouvi dentro, antes de escutar,
Porque o silêncio aprendeu a falar.
Teu gesto desatou nós invisíveis,
E as rotas se tornaram mais possíveis.
Quem olha de fora chama de acaso,
Mas nós sabemos: era outro prazo.

O tempo, alfaiate, acertou barras,
E o destino pregou botões nas garras.

IV
Teu beijo reposicionou meus móveis,
E a casa respirou fundos mais nobres.
Na mesa era evidente o reencontro,
E a xícara cabia o mar sem ponto.
Falamos de manhãs que ainda viriam,
De telhados, varandas, romarias.
Prometemos o simples: estar presentes,
E repartir o pão das nossas mentes.
Prometemos silêncio quando bastar,
E a palavra sóbria para cuidar.

V
Eu prometi teu nome num abrigo,
Tu prometeste a calma de um amigo.
E assim seguimos, leves de projeto,
Com o futuro pousado no concreto.
Se a chuva ensaiar sua impaciência,
Seremos nós a casa da paciência.
Se o sol exigir sombra e clareira,
Daremos nós a sombra verdadeira.
Se o mundo levantar seus precipícios,
Ergueremos cordames e ofícios.

(Betto Gasparetto- viii-mmxxii)