Onde o Silêncio Aprende a Falar Mais Forte (Ep 7 – Cap 61/64)

Posted in Sem categoria on 22 de junho de 2026 by Prof Gasparetto

Episódio 7 — Três Gerações

Trilha: Franz Liszt — Liebestraum No.3

(Betto Gasparetto)

Capítulo 61—  Helena Dubois e a Carta

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Ao anoitecer Helena voltou à biblioteca.

Sozinha.

Outra vez.

A neve golpeava vidros.

A lareira queimava.

Silêncio.

Sentou-se.

Retirou lentamente o pequeno caderno azul.

Abriu.

Parou.

Silêncio absoluto.

Porque havia algo novo.

Uma carta.

Muito recente.

Impossível.

Helena tinha certeza absoluta:

não estava ali antes.

As mãos começaram a tremer.

Muito pouco.

Mas tremeram.

Abriu.

Leu:


Helena,

Você continua protegendo pessoas erradas.

Mas compreendo.

Todos nós protegemos aquilo que nos destruiu um pouco.”

Silêncio.

Mais.


“Ele voltou.

E você já sabe.”

Silêncio absoluto.

Helena empalideceu.

Muito.

Porque abaixo: Adrien de Clairmont

Outra vez.

Mas havia algo ainda pior.

Muito pior.

No rodapé:

“P.S.: Sophie já começou a lembrar.”

Silêncio.

Muito.

Muito longo.

Última frase:

“Ao levantar lentamente os olhos, Helena percebeu que alguém estivera sentado diante dela poucos segundos antes — a poltrona ainda balançava.”

E naquela noite, pela primeira vez, Helena Dubois teve medo de permanecer sozinha.

(Betto Gasparetto – v-mcmcxviii)

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Próximo Capítulo: 62

Onde o Silêncio Aprende a Falar Mais Forte (Ep 7 – Cap 60/64)

Posted in Sem categoria on 21 de junho de 2026 by Prof Gasparetto

Episódio 7 — Três Gerações

Trilha: Claude Debussy — Arabesque No.1

(Betto Gasparetto)

Capítulo 60—  Elise Bauer

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Na estufa o calor tornava a neve distante.

Vidros embaçados.

Papoulas.

Orquídeas.

Perfume de terra.

Silêncio.

Lukas encontrara Elise novamente.

Ou talvez procurara.

Ambos permaneciam próximos das flores raras.

Nenhum falava.

Muito.

Porque sentimentos demorados desenvolvem medo de palavras.

Silêncio.

Depois Elise:

— Você está diferente.

Lukas sorriu pouco.

— Todos repetem isso.

Silêncio.

Elise aproximou-se.

Muito.

Depois:

— Talvez porque esteja lembrando.

Silêncio absoluto.

Lukas ergueu os olhos.

Porque aquela palavra aparecia demais.

Lembrar.

Memória.

Retorno.

Sempre.

Silêncio.

Longa pausa.

Então Lukas:

— Tenho sensação estranha.

Mais silêncio.

— Como se conhecesse lugares antes de entrar.

Elise observou.

Longamente.

Depois:

— E pessoas?

Silêncio absoluto.

Porque Lukas não respondeu.

E respostas ausentes às vezes gritam.

(Betto Gasparetto – v-mcmcxviii)

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Próximo Capítulo: 61

Onde o Silêncio Aprende a Falar Mais Forte (Ep 7 – Cap 59/64)

Posted in Sem categoria on 20 de junho de 2026 by Prof Gasparetto

Episódio 7 — Três Gerações

Trilha: Edward Elgar — Chanson de Nuit

 (Betto Gasparetto)

Capítulo 59—  Franz Adler e a fotografia

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Na oficina antiga Franz Adler permanecia trabalhando.

Peças.

Relógios.

Ferramentas.

Engrenagens.

Silêncio.

Nikola sentara-se próximo.

Observava.

Porque crianças gostam de pessoas que trabalham com coisas delicadas.

Franz retirou pequena caixa de madeira.

Parou.

Silêncio.

Abriu.

Dentro:

fotografias.

Muitas.

Muito antigas.

Nikola aproximou-se.

Parou.

Silêncio.

Porque todas mostravam o Solar.

Jardins.

Famílias.

Festas.

Neve.

Carruagens.

E em quase todas—

um homem.

Distante.

Muito distante.

Sempre ao fundo.

Sobretudo escuro.

Relógio preso ao bolso.

Silêncio absoluto.

Nikola apontou:

— Quem é?

Franz permaneceu olhando.

Longamente.

Depois:

— Não sei.

Silêncio.

Mais um.

— O estranho é outro.

Nikola aproximou-se.

Franz entregou fotografia.

Silêncio.

Porque o rosto—

não aparecia.

Não borrado.

Não apagado.

Simplesmente impossível de distinguir.

Em todas.

Silêncio absoluto.

E no verso: GY

E abaixo:

“Algumas pessoas desaparecem antes de partir.”

(Betto Gasparetto – v-mcmcxviii)

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Próximo Capítulo: 60

Onde o Silêncio Aprende a Falar Mais Forte (Ep 7 – Cap 58/64)

Posted in Sem categoria on 19 de junho de 2026 by Prof Gasparetto

Episódio 7 — Três Gerações

Trilha: Maurice Ravel — Miroirs: Une barque sur l’océan

(Betto Gasparetto)

Capítulo 58—  Sophie e o Espelho

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Sophie não dormiu.

Outra vez.

Talvez porque o sono seja privilégio das pessoas em paz.

E paz era exatamente aquilo que o Solar parecia consumir lentamente.

A imagem do salão permanecia viva:

a longa mesa.

As velas.

Alaric.

As sombras.

E o reflexo.

O reflexo impossível.

Porque Sophie tinha certeza absoluta.

Havia alguém sentado.

Alguém.

Não imaginação.

Não cansaço.

Não susto.

Alguém.

Silêncio.

Levantou-se.

Vestiu casaco.

Abriu a porta.

Corredores.

Lampiões.

Tapetes.

Neve além dos vidros.

Silêncio absoluto.

Desceu lentamente.

Atravessou o salão vazio.

Parou diante do espelho.

Grande.

Antigo.

Moldura escura.

Olhou.

Nada.

Silêncio.

Aproximou-se.

Muito.

E então percebeu algo estranho.

Seu reflexo.

Não exatamente atrasado.

Mas lento.

Muito pouco.

Quase imperceptível.

Piscou.

Silêncio.

Piscou novamente.

Outra vez.

Respiração curta.

Porque por uma fração impossível de tempo teve a impressão de que a imagem demorava.

Muito pouco.

Mas demorava.

Silêncio absoluto.

Então viu.

Muito pequeno.

No canto inferior da moldura: GY

E abaixo:

“Nem todo reflexo mostra o presente.”

Silêncio.

Muito.

Muito longo.

Sophie recuou.

Porque certas frases deixam de parecer enigmas.

E começam a parecer avisos.

(Betto Gasparetto – v-mcmcxviii)

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Próximo Capítulo: 59

Onde o Silêncio Aprende a Falar Mais Forte (Ep 7 – Cap 57/64)

Posted in Sem categoria on 18 de junho de 2026 by Prof Gasparetto

Episódio 7 — Três Gerações

Trilha: Franz Schubert — Ständchen (instrumental)

(Betto Gasparetto)

Capítulo 57—  O Jantar

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Naquela noite o jantar ocorreu cedo.

A tempestade voltara.

Outra vez.

Mais neve.

Mais vento.

Mais confinamento.

O salão principal brilhava.

Lareiras.

Velas.

Piano.

Pratas.

Mas os rostos estavam diferentes.

Muito.

Porque o medo começava a mudar de forma.

Antes temiam a casa.

Agora começavam a temer respostas.

Silêncio.

Conversavam pouco.

Muito pouco.

Até Sophie levantar os olhos.

Fechar o caderno.

E perguntar:

— Posso fazer uma pergunta?

Silêncio.

Todos olharam.

Alaric primeiro.

Helena depois.

Clara.

Marguerite.

Émile.

Lukas.

Anika.

Nikola.

Silêncio.

Sophie observou todos.

Longamente.

Muito.

Depois:

— Quem voltou?

Silêncio absoluto.

Nenhum som.

Nenhum.

O vento.

A lareira.

Nada mais.

Porque a pergunta atravessou a mesa como lâmina.

Lukas ergueu lentamente os olhos.

Marguerite empalideceu.

Clara segurou a taça.

Helena parou.

E Alaric

Alaric olhou Sophie.

Muito.

Longamente.

Demais.

Como quem observa alguém atravessar porta proibida.

Depois sorriu.

Pequeno.

Quase imperceptível.

E respondeu:

— Depende.

Silêncio.

Mais um.

— Do que você chama de voltar.

Silêncio absoluto.

Porque respostas incompletas são parentes próximas das mentiras.

E Sophie finalmente percebeu:

todos naquela mesa sabiam conversar sem responder.

Última frase:

“Na parede atrás de Alaric, refletido discretamente no espelho, havia alguém a mais sentado à mesa.”

Mas quando Sophie virou—

não havia cadeira ocupada.

(Betto Gasparetto – v-mcmcxviii)

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Próximo Capítulo: 58