Arquivo para outubro, 2026

Um Livro Por Um Beijo

Posted in Sem categoria on 13 de outubro de 2026 by Prof Gasparetto

Três passos entre o perfume dos livros, a ternura de um beijo e as páginas de um amor sem fim.

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell + Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Passo I — O OUTONO ESCREVEU TEU NOME

Na velha livraria, ao fim da tarde,
O outono derramava seu fulgor;
Teu rosto fez arder o que ainda arde
No peito de quem sonha com amor.
Trazias nos teus olhos a poesia
Que nenhum velho sábio decifrou;
E o beijo que tua boca prometia
Foi tudo quanto a vida me negou.
Entre volumes gastos pelo tempo,
Teu doce riso veio me encontrar;
E um livro, esquecido por um momento,
Tornou-se o nosso pretexto para amar.

Passo II — A DOCE TROCA DOS DESTINOS

Pedi-te um beijo em troca de um romance,
E tu sorriste, fingindo recusar;
Mas houve em teu olhar um breve lance
Que fez meu coração se ajoelhar.
Não quis tesouros, títulos ou glórias,
Nem os louros que os reis podem colher;
Quis ser apenas parte das histórias
Que teus lábios pudessem escrever.
E quando tua boca à minha veio,
Calou-se a rua, adormeceu o cais;
Um livro repousou entre nós dois,
E o mundo já não foi o mesmo jamais.

Passo III — O LIVRO QUE O TEMPO NÃO FECHOU

Se os anos desfolharem nossas vidas,
Como o outono desfolha o seu jardim,
Serão nossas lembranças recolhidas
Nas páginas que guardo dentro de mim.
Hei de beijar-te quando a idade vier,
Com a mesma devoção daquele olhar;
Pois mesmo quando a mocidade se perder,
Teremos mil maneiras de nos amar.
E se a morte fechar a última página,
Não haverá tristeza em meu dizer;
Pois dei-te um livro por um beijo apenas,
E ganhei uma história inteira para viver.

(Betto Gasparetto – 2015)

As Pétalas que a Noite Não Levou

Posted in Sem categoria on 12 de outubro de 2026 by Prof Gasparetto

Quatro movimentos entre a ausência, o silêncio e a esperança de um último reencontro.

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell + Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I — O CAIS DAS PROMESSAS ESQUECIDAS

Sentei-me onde a noite encontra o mar,
E a brisa fria veio me envolver;
As luzes, sobre as águas, a bailar,
Pareciam ter saudades de te ver.
Trouxe comigo as rosas que me deste,
Mas suas pétalas caíram pelo chão;
Talvez o amor que um dia prometeste
Tenha perdido o rumo e a direção.
E enquanto a madrugada se aproxima,
Procuro entre as estrelas teu olhar;
Pois há uma dor que o próprio tempo estima:
A de esperar quem prometeu voltar.

II — O PERFUME DAS ROSAS PARTIDAS

O vento espalha pétalas vermelhas,
Qual cartas que ninguém ousou escrever;
E as águas, entre sombras tão antigas,
Recolhem o que não pude compreender.
Teu nome ainda repousa em minha boca,
Como um beijo que não chegou ao fim;
E a solidão, que lentamente me provoca,
Pergunta por que foste embora de mim.
Ah, se soubesses quanto custa a ausência,
Quando o amor se recusa a terminar;
Verias que até mesmo a paciência
Tem lágrimas que aprende a disfarçar.

III — QUANDO O SILÊNCIO CHAMA POR TI

Passaram barcos, vozes e viajantes,
E cada qual encontrou seu próprio cais;
Somente meus desejos, tão distantes,
Não sabem regressar de onde tu vais.
Guardei o teu lugar em minha vida,
Embora já não saibas onde estou;
E cada rosa, pela chuva consumida,
Recorda a primavera que passou.
Não te condeno pela despedida,
Nem peço que lamentes nosso amor;
Mas há uma parte em mim que ficou perdida
Na noite em que partiste sem rumor.

IV — A ÚLTIMA PÉTALA DA ESPERANÇA

Talvez amanhã o céu amanheça claro,
E o Sol encontre as rosas pelo chão;
Talvez descubra, neste instante raro,
Que a esperança sobrevive à solidão.
Se regressares por aquelas mesmas ruas,
Não trarei acusações em meu olhar;
Oferecerei as mãos, ainda tuas,
E tudo quanto não soube confessar.
Mas se teus passos nunca mais vierem,
Hei de aprender, aos poucos, a florescer;
Pois mesmo as rosas que no inverno morrem
Guardam na terra a promessa de renascer.

(Betto Gasparetto – 2011)

Canção para uma Noite Vazia

Posted in Sem categoria on 11 de outubro de 2026 by Prof Gasparetto

Três movimentos entre os suspiros do pistom, os lamentos da guitarra e a ausência de um amor.

(Betto Gasparetto)

Trilha Sonora: A Voz Calou

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell + Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I — O SOPRO DAS HORAS PERDIDAS

A noite veste o seu cetim sombrio,
E o pistom começa a suspirar;
Há sobre a mesa um copo quase frio,
E uma cadeira à espera de teu olhar.
O contrabaixo, em seu lamento lento,
Desperta antigas juras de paixão;
O pistom soluça contra o esquecimento,
Como quem chama um ausente coração.
Cantei teu beijo em versos de saudade,
Mas minha voz perdeu-se pelo salão;
E cada nota implora à eternidade
Que restitua teu amor à solidão.

II — OS ACORDES DOS DESEJOS CALADOS

A guitarra chora em tom profundo,
Qual amante que suplica por voltar;
Suas cordas fazem estremecer o mundo,
E em cada acorde ouço a ausência lamentar.
Ah, se soubesses quanto ainda te desejo,
No breve espaço entre a voz e a solidão;
Daria ao Tempo o ouro de outro beijo,
Por uma noite inteira em tua mão.
Mas teu perfume habita a madrugada,
E a guitarra suspira sem cessar;
És a canção que permanece inacabada,
O verso que meus lábios querem terminar.

III — O ÚLTIMO SUSPIRO ANTES DA AURORA

Quando o pistom suspender seus lamentos,
E a guitarra, exausta, enfim silenciar,
Hei de recolher os últimos momentos
Que teu amor deixou neste lugar.
Não peço às horas que me restituam
As primaveras que deixamos perecer;
Desejo apenas que teus olhos reconheçam
O quanto ainda vive em meu querer.
E se voltares quando a aurora vier,
Que a guitarra desperte outra paixão;
Pois até o pistom, ao ver-te regressar,
Há de trocar seus prantos por uma canção.

(Betto Gasparetto – 2012)

A voz Calou

Você se foi sem palavras,
mas tua ausência falou.
Ficou o gosto nas lágrimas,
ficou o tempo que não passou.

A noite caiu tão lenta,
e o silêncio ocupou lugar.
A saudade virou sentença
sem chance de se explicar.

Algum dia vou dizer
o que minha voz calou.
Mesmo sem te pertencer,
meu amor nunca cessou.

Se teus passos voltarem um dia
com a calma de um arrebol,
vou sorrir com melancolia
por ver de novo o sol.

Algum dia vou dizer
o que minha voz calou.
Mesmo sem te pertencer,
meu amor nunca cessou.

(Letra e Música: Betto Gasparetto – Todos os Direitos Reservados – 2008)

SE…

Posted in Sem categoria on 10 de outubro de 2026 by Prof Gasparetto

Três movimentos entre o desejo, o silêncio e as promessas que o amor ainda não ousou pronunciar.

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell + Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I — SE TEUS OLHOS ME ESCOLHESSEM

Se teus olhos me escolhessem,
Nesta noite junto ao mar,
Mil estrelas desceriam
Só para nos contemplar.
Se teus lábios confessassem
O que tentas ocultar,
Nossas sombras saberiam
Que nasceu um novo amar.
Se tua mão buscasse a minha,
Sem receio de ficar,
Até as águas do porto
Aprenderiam a sonhar.

II — SE O SILÊNCIO FOSSE AMOR

Se soubesses quanto guardo
Sob a calma deste olhar,
Não temerias meus passos
Nem meu jeito de calar.
Se esta carta entre teus dedos
Me pudesse revelar,
Lerias nas entrelinhas
O que não ousei falar.
Se a distância fosse apenas
Uma forma de esperar,
Eu faria dos meus braços
Teu refúgio à beira-mar.

III — SE O AMANHÃ NOS PERTENCESSE

Se amanhã, ao romper da aurora,
Nosso amor ainda florir,
Não haverá vento ou tempo
Que nos faça desistir.
Se os caminhos se perderem,
Hei de ao teu encontro ir;
Se a velhice nos chamar,
Quero ao teu lado sorrir.
E se a vida me indagar
Que destino hei de seguir,
Direi: aquele em que teus olhos
Me convidarem a existir.

(Betto Gasparetto – 2011)

O Pretérito Imperfeito de Nós Dois

Posted in Sem categoria on 9 de outubro de 2026 by Prof Gasparetto

Cinco movimentos entre as cartas esquecidas, os amores interrompidos e as palavras que jamais aprenderam a despedir-se.

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell + Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I — O TEMPO CONJUGADO EM SAUDADE

Eu te amava quando a tarde adormecia,
E o céu vestia as sombras do arrebol;
Teu nome em minha boca florescia,
Qual rosa enamorada pelo Sol.
Mas veio o Tempo, em sua travessia,
Roubar de nossos dias o esplendor;
E o que era eterno em nossa fantasia
Tornou-se um verbo incompleto de amor.

II — AS CARTAS QUE O VENTO NÃO LEVOU

Guardei nas mãos a última missiva,
Que outrora prometia o teu voltar;
A tinta envelheceu, mas permanece viva
A voz que suas linhas fazem recordar.
Reli cada promessa fugitiva,
Buscando o que não pude decifrar;
E descobri, naquelas letras tão antigas,
Que há despedidas que não sabem terminar.

III — O JARDIM DOS VERBOS ESQUECIDOS

As flores que plantamos floresciam,
Enquanto nossas mãos sabiam se encontrar;
As águas do distante lago refletiam
Os sonhos que ousávamos guardar.
Agora as mesmas rosas me perguntam
Por que teus passos deixaram de chegar;
E eu respondo ao silêncio das montanhas:
Há sentimentos que continuam sem lugar.

IV — O IMPERFEITO DE NÓS DOIS

Eu te queria — e ainda te quereria,
Se o ontem consentisse em regressar;
Tu me dizias que jamais partirias,
E eu, tão feliz, não soube duvidar.
Amávamos como quem desconhecia
Que até o infinito pode se quebrar;
Mas entre o que vivíamos e o que sonhávamos,
Ficou um tempo que não soubemos conjugar.

V — QUANDO O AMOR NÃO ENCONTRA SEU PONTO FINAL

Se um dia estas palavras te alcançarem,
Não busques nelas súplica ou perdão;
São folhas que os outonos não levaram,
Guardadas no silêncio da estação.
Pois certos sentimentos, quando acabam,
Não encontram repouso na razão;
E aquilo que outrora foi presente
Permanece imperfeito no coração.

(Betto Gasparetto – 2011)