Arquivo para outubro, 2026

Viagens ao Centro do Amor

Posted in Coleção - Poemas on 8 de outubro de 2026 by Prof Gasparetto

Seis jornadas entre o desejo, a liberdade e a eternidade de dois corações.

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell + Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I — A ESTRADA DOS PRIMEIROS ENCANTOS

Partimos quando a aurora despertava,
E o mar vestia as rendas do arrebol;
Teu riso, qual primavera, me encantava,
Mais luminoso que o nascente Sol.
Não era a estrada que nos conduzia,
Mas o amor que em nossos peitos florescia.

II — O VENTO QUE BEIJOU TEUS CABELOS

O vento desprendeu teus belos cabelos,
E a brisa veio teu perfume procurar;
Meus olhos, fascinados por seus novelos,
Esqueceram por instantes de viajar.
Ah, se eu pudesse ao vento confessar,
Que até sua liberdade invejo ao te beijar!

III — ENTRE CURVAS E CONFISSÕES

Nas curvas desta estrada ensolarada,
Teu doce olhar encontrou meu coração;
E cada milha, em silêncio atravessada,
Tornou mais viva a chama da paixão.
Pois não há rumo, mapa ou direção,
Mais belo que seguir contigo pela mão
.

IV — O HORIZONTE DOS DESEJOS

Além dos montes, onde o azul repousa,
Desejei contigo os anos percorrer;
Que a vida, generosa, ainda nos conceda
Mil novas primaveras para florescer.
E quando a juventude enfim se despedir,
Que nossos lábios ainda saibam sorrir.

V — O SEGREDO DAS MIL MILHAS

Se mil caminhos surgirem à nossa frente,
Escolherei aquele em que estiveres;
Pois toda distância torna-se ausente,
Quando me abraças e dizes que me queres.
Não temo as noites nem o incerto amanhã,
Se tua ternura me acolher em teu sagrado divã.

VI — ONDE O AMOR ENCONTROU SEU DESTINO

E quando a última estrada se encerrar,
E o entardecer nos convidar ao repouso,
Hei de tomar tuas mãos para recordar
Cada instante deste amor tão venturoso.
Pois viajar contigo ensinou-me, enfim:
O centro do amor é ter-te junto a mim.


(Betto Gasparetto – 2011)

Olhares Distantes Num Talvez

Posted in Coleção - Poemas on 7 de outubro de 2026 by Prof Gasparetto

Quatro movimentos entre o silêncio, a proximidade e aquilo que o amor ainda não ousou confessar

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell + Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I — DOIS SILÊNCIOS NA MESMA VIAGEM

Sentamo-nos tão perto, e tão distantes,
enquanto o mundo corre além do vidro;
teus olhos buscam montes muito adiante,
os meus procuram em teu rosto um abrigo.
Há coisas que permanecem hesitantes,
por medo de perder o que é querido;
e assim viajamos, lado a lado, em segredo,
tu contemplando a neve, eu, nosso enredo,
ambos tão próximos — e presos num talvez.

II — AQUILO QUE OS OLHOS NÃO DISSERAM

Quis perguntar se pensas quando calas,
se em teu silêncio existe um pouco de nós;
mas certas confissões, quando as abalas,
podem morrer ao conhecer a própria voz.
Então deixei meu coração entre palavras
que nunca atravessaram minha voz;
fingi ler o mundo, enquanto desejava
que teu olhar, por breve acaso, encontrasse o meu,
e transformasse em sim o nosso quase.

III — ENTRE A NEVE E O DESEJO

Lá fora, a neve veste os altos montes,
como se o inverno houvesse adormecido;
aqui, porém, ardem secretos horizontes,
num sentimento ainda não vivido.
Se tua mão tocasse a minha por acaso,
talvez o Tempo perdesse seu caminho;
talvez soubéssemos, naquele breve espaço,
que dois destinos podem viajar tão juntos
e ainda assim temer o mesmo carinho.

IV — A ESTAÇÃO DO TALVEZ

Talvez amanhã desçamos em estações diversas,
e cada qual prossiga sem olhar atrás;
talvez recordes estas horas silenciosas
como quem lembra um sonho que não volta mais.
Mas se antes da partida nossos olhos se encontrarem,
não deixes que o receio escolha por nós dois;
há amores que se perdem antes mesmo de nascerem
porque esperaram pelo instante perfeito — e ele não veio.
Pois todo “talvez” é um amor perguntando se ainda há depois.

(Betto Gasparetto – 2011)

Um Gosto Infinito de Espera

Posted in Coleção - Poemas on 6 de outubro de 2026 by Prof Gasparetto

Quatro movimentos entre a esperança, a ausência e o amor que se recusa a partir

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell + Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I — OS DEGRAUS DA ESPERA

Sentei-me onde as flores se debruçam,
à espera de teus passos pelo cais;
as águas vêm, regressam e soluçam,
mas teus olhos não retornam nunca mais.
Há tardes que em meu peito não terminam,
há sinos que perguntam onde estás;
e enquanto as glicínias se perfumam,
meu coração conserva o que não traz:
esse gosto infinito de esperar-te.

II — O BARCO QUE NÃO ERA O TEU

Vi surgir ao longe uma embarcação,
e por um breve instante foste tu;
meu peito abriu janelas à ilusão,
e a esperança vestiu o céu de azul.
Mas outro rosto atravessou as águas,
outra mão saudou de junto ao mar;
baixei os olhos para que as próprias flores
não percebessem meu secreto pesar:
quantas vezes regressaste sem chegar.

III — AS FLORES SABEM TEU NOME

As flores que plantei quando partiste
já aprenderam muitas vezes a morrer;
renascem sempre — como se soubessem
que amar também é esperar e florescer.
Pergunto-lhes se ouviram teus passos,
se alguma brisa as fez de ti lembrar;
e elas, mudas, perfumam minha ausência,
como quem sabe e não deseja revelar
por que o amor permanece sem voltar.

IV — SE UM DIA REGRESSARES

Se um dia regressares por estas águas,
não temas encontrar-me diferente;
os anos poderão tocar meu rosto,
mas não aquilo que te guarda eternamente.
Vem sem promessas, culpas ou respostas,
traz somente os olhos que aprendi a amar;
sentar-nos-emos nestes mesmos degraus,
e então saberei, ao ver-te novamente,
que toda espera encontra o infinito ao terminar.

(Betto Gasparetto – 2013)

Sentindo Um Frio em Minh’alma

Posted in Coleção - Poemas on 5 de outubro de 2026 by Prof Gasparetto

Quatro movimentos entre a dança, o desejo e aquilo que o coração teme perder

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell + Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I — O INVERNO SOB AS LUZES

Sob mil cristais que em ouro resplandecem,
teus olhos vêm meu coração buscar;
ao nosso redor, violinos estremecem,
mas só teus passos posso escutar.
Tua mão na minha aquece o meu destino,
teu rosto faz a noite se acalmar;
porém, não sei por que, entre tanta chama,
sinto nascer um frio em minh’alma.

II — A DANÇA QUE DETÉM AS HORAS

Dança comigo enquanto a noite existe,
antes que a aurora nos venha separar;
faz de meus braços teu refúgio breve,
deixa teu coração no meu repousar.
Que cesse o mundo além deste salão,
que o próprio Tempo esqueça de passar;
pois cada volta que contigo desenho
é uma eternidade aprendendo a começar.

III — O TEMOR DE PERDER-TE

Por que, se estás tão perto, temo a ausência?
Por que pressinto a sombra em pleno ardor?
Talvez quem ama conheça esta sentença:
quanto mais possui, mais teme perder o amor.
Aperto tua mão como quem suplica
ao breve instante que preserve seu fulgor;
se algum amanhã nos separar os passos,
que esta dança sobreviva onde sobreviver a flor.

IV — QUANDO A MÚSICA CESSAR

Um dia os lustres perderão seus brilhos,
e o salão há de aprender a solidão;
silenciarão as cordas e os violinos,
mas não o que deixaste em meu coração.
Se o frio vier buscar-me em outros tempos,
hei de aquecer-me em nossa recordação;
pois mesmo quando a última dança houver passado,
amar-te-á minh’alma além da última canção.

(Betto Gasparetto – 2015)

Por Tudo Que Pensei em Te Dizer que Amei

Posted in Sem categoria on 4 de outubro de 2026 by Prof Gasparetto

Sete movimentos de um amor contido além-mar...

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell + Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I — ANTES QUE O MAR NOS SEPARE

Parto, e contudo deixo a alma em teu cais,
pois corpo algum governa o coração;
o mar poderá levar-me para longe,
não levará de mim tua recordação.
Guardei palavras por temer dizê-las,
como quem teme ao fogo confessar;
agora sei: pior que a despedida
é ter amado e não saber contar.

II — AS PALAVRAS NA BAGAGEM

Entre vestidos, cartas e lembranças,
levei comigo o que não pude abrir:
mil confissões dobradas no silêncio,
mil frases desejando conseguir sair.
Se abrisses minha antiga bagagem,
não encontrarias ouro ou esplendor;
somente aquilo que jamais te disse:
um coração inteiro envolto em amor.

III — DIANTE DA JANELA

Contemplo o mar pela janela extensa,
enquanto a tarde aprende a declinar;
cada horizonte que diante de mim nasce
parece outro motivo para te recordar.
As ilhas passam como antigos sonhos,
o Sol escreve ouro sobre o mar;
mas nenhuma paisagem me consola,
pois toda beleza me ensina a te buscar.

IV — O QUE MEU SILÊNCIO ESCONDEU

Perdoa-me as palavras não nascidas,
os gestos que o pudor fez recuar;
houve ternuras presas em meus olhos
que apenas tua alma poderia decifrar.
Eu te amei nos instantes mais pequenos,
no modo de chegares e sorrir;
amei até teus passos quando partias,
porque deixavam esperança de tornar a vir.

V — SE EU PUDESSE REGRESSAR

Se esta embarcação voltasse os seus caminhos
e o tempo consentisse em regressar,
eu desceria antes mesmo do porto
somente para aos teus braços retornar.
Diria sem receio: “Eis minha vida;
não tenho outro segredo para te oferecer.”
Pois quem demora em declarar o afeto
arrisca-se a perder o que desejava viver.

VI — O BRINDE À DISTÂNCIA

Ergo esta taça ao horizonte ausente,
não para celebrar nossa separação,
mas para que a distância seja breve
e nunca maior que a força da afeição.
Bebo por ti, pelas manhãs futuras,
pelo reencontro que desejo merecer;
e deixo ao vento uma promessa simples:
onde eu estiver, hei de te pertencer.

VII — POR TUDO QUE AMEI

Por tudo que pensei em te dizer que amei,
pelas palavras que deixei adormecer,
pelos instantes que guardei comigo
e pelos sonhos que ainda quero viver;
se algum dia encontrares meu silêncio,
não julgues que deixei de te querer:
há sentimentos grandes demais para a voz —
e eu te amei em tudo que não soube dizer.

 (Betto Gasparetto – 2014)

Trilha Sonora: Fado da Janela


Na janela antiga teu rosto surgiu,
O vento sereno lembrança traduziu.
E o peito cansado ganhou claridade,
Ao ver no teu riso tanta saudade.


As ruas de pedra guardavam teus passos,
Lisboa suspira no eco dos laços.
E a lua brilhava qual estrela acesa,
Guardando em silêncio tua beleza.

Fado da janela, canto de amar,
No brilho dos olhos começo a sonhar.
Saudade que chora não pode calar,
É voz da esperança que insiste em ficar.

No abraço tão leve o tempo sorriu,
E o beijo guardado depressa se abriu.
A vida mostrou-se mais clara e singela,
No fado que canta da tua janela.

Agora que somos ternura e destino,
O tempo nos guia em caminho divino.
E o fado se enche de amor e emoção,
Na janela da vida, só um coração.

 (Betto Gasparetto – 2016)