(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell + Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning
Era segunda-feira.
E, como toda segunda-feira, a agência bancária parecia ter decidido concentrar toda a cidade no mesmo lugar.
A fila dos caixas eletrônicos avançava lentamente.
Uns consultavam o saldo.
Outros pagavam contas.
Havia quem apenas sacasse dinheiro para a semana.
No terceiro terminal, um aviso surgiu de repente na tela.
“Sistema temporariamente indisponível.”
O rapaz que operava a máquina apertou um botão.
Depois outro.
Tentou novamente.
Nada.
Resmungou.
— Justo hoje…
A senhora que aguardava atrás dele perguntou:
— Estragou?
— Acho que sim.
Em poucos minutos, os outros caixas começaram a apresentar o mesmo problema.
O silêncio inicial deu lugar às reclamações.
— Banco moderno, mas vive fora do ar.
— A gente paga tarifa para isso.
— Sempre acontece quando mais precisamos.
Um homem de terno olhava o relógio sem parar.
Uma estudante dizia que perderia o horário da faculdade.
Um aposentado precisava sacar dinheiro para comprar remédios.
Uma jovem mãe tentava acalmar um menino impaciente, já cansado de esperar.
Enquanto todos olhavam para as telas apagadas, um senhor de cabelos brancos aproximou-se de uma senhora que segurava um papel cheio de anotações.
— A senhora precisa de ajuda?
Ela sorriu, um pouco envergonhada.
— Meu neto sempre faz isso para mim.
Hoje ele está viajando.
Era um pagamento de água.
O homem sentou ao lado dela.
Explicou calmamente como usar o aplicativo do banco.
Ela anotava tudo em um pequeno caderno.
Cada passo.
Cada botão.
Quando conseguiu concluir a operação, abriu um sorriso que parecia de criança aprendendo algo novo.
— Consegui!
Os dois comemoraram discretamente.
Perto dali, a jovem mãe tentava entreter o filho.
O menino observava um senhor segurando uma bengala.
Aproximou-se.
— O senhor quer sentar?
O idoso sorriu.
— Aceito.
Obrigado.
A mãe pediu desculpas pela ousadia do filho.
O homem respondeu:
— Não peça.
Educação nunca atrapalha.
Enquanto isso, o rapaz que reclamara da pane percebeu um funcionário do banco tentando explicar a situação para dezenas de clientes ao mesmo tempo.
Aproximou-se.
— Quer que eu organize a fila?
O funcionário aceitou imediatamente.
Em poucos minutos, distribuiu senhas, orientou idosos, indicou outros caixas disponíveis e ajudou pessoas que nem conhecia.
Curiosamente, ninguém mais falava da pane.
Falavam uns com os outros.
Quase uma hora depois, o sistema voltou.
As telas acenderam.
As operações recomeçaram.
Os clientes foram embora aos poucos.
Antes de sair, a senhora do caderno aproximou-se do rapaz que organizara a fila.
— Hoje eu aprendi a pagar uma conta pelo celular.
Ele respondeu sorrindo:
— E eu aprendi que reclamar ocupa muito mais tempo do que ajudar.
Do lado de fora, a vida seguia normalmente.
Carros.
Ônibus.
Pessoas apressadas.
Cada uma voltando para seus compromissos.
A pane seria esquecida em poucos dias.
Talvez nem aparecesse nas estatísticas do banco.
Mas, para quem esteve ali naquela manhã, ficou uma lembrança diferente.
Às vezes, basta uma máquina deixar de funcionar para que as pessoas voltem a fazer aquilo que nenhuma tecnologia consegue substituir.
Olhar umas para as outras.
E descobrir que, antes de sermos clientes, somos simplesmente pessoas.
(Betto Gasparetto – viii – mcmxciv)
